Vaidade (um esboço)

Queria dizer que a vaidade geralmente é a principal motivação para as pessoas fazerem o que quer que façam na vida, mas temo que as pessoas me vejam como um militante antivaidade. Não sou. Acontece que, em algum momento dos últimos dez anos, dei uma boa lida no Eclesiastes e, desde então, adquiri dois péssimos hábitos: autocensurar minha vaidade e analisar a vaidade alheia. Não recomendo esta vida para ninguém.

O interessante é que a vaidade tal qual descrita por Salomão dialoga perfeitamente com a obra de Freud. Na psicanálise, a vaidade pura e simples se traveste de necessidade de agradar aos pais. Impérios foram construídos e derrubados de acordo com esta premissa que, hoje, me parece óbvia. O que além da vaidade (que no caso assume o nome de “honra”) motiva Hamlet a promover aquela carnificina toda? E por aí vai.

Destituído, pois, da vaidade pura e simples (e legítima) e incapacitado, por motivos que não cabem aqui, de agradar meus pais, o que me resta? É a pergunta que tenho feito nas últimas semanas.

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