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POLZONOFF Posts

Tolerância (texto curto com plot twist)

Só consegue ser tolerante quem é pleno em suas convicções. É a dúvida, autodúvida, o que gera essa reação sempre instintiva e raivosa de querer a aniquilação do contrário ou mesmo do diferente. Aniquilação esta que se dá por vários meios, do silêncio ao tiro. Por isso mesmo é que eu, hétero assumido, sou tolerantíssimo com quaisquer outras manifestações da sexualidade. E, fã de todas as carnes do mundo e viciado em proteína animal, não tenho nenhum problema com o surgimento de açougues veganos, por exemplo. Se sou intolerante às vezes (às vezes!) é só quando vejo se manifestar perto…

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O chato

Eu sou um chato. Por quaisquer medidas que se escolha, Fahrenreit, Kelvin e sobretudo Watts. Na opinião de qualquer pessoa e certamente de alguns felinos mais arredios. Até para os fãs de U2 ou Radiohead ou, meu Deus!, Ivan Lins eu sou um chato. Só de ver o primeiro pê do meu nome, sem falar no segundo e no às vezes esquecido “Jr.”, do outro lado há alguém dizendo ou, pior, lembrando: que chato! E de que serve este parágrafo inicial senão como prova inegável: chato, chato, chato! Se às seis da tarde alguém comete a besteira de perguntar como…

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Um estoico distraído

Essa luta contra o ressentimento, contra o desejo de vingança, contra a inveja que dá origem a regimes totalitários (sem falar naquele seu câncer), meus amigos, essa luta é uma luta que não vale a pena lutar. Ao menos não às claras, ao menos não destemidamente, ao menos não com essa ridícula pontinha de esperança. Porque essa luta já foi lutada – e perdida – há milênios. Os ressentidos, vingativos e invejosos (conscientes ou não) encontram conforto nessa curiosa cama de pregos. Ora (odeio textos que têm “ora”, mas… ora!), nada mais agradável – não, nem pipoca, edredon e friozinho!…

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Marielle Bandida

(Leia antes de espernear) A ideia lhe veio como um milagre mal disfarçado de acaso. Ele se levantou e se amaldiçoou por não ter papel e caneta por perto. Quem foi que pegou minhas coisas, quem mexeu na minha bagunça?, perguntou ele para o apartamento vazio. E a cada segundo o medo de que o milagre se cansasse da fantasia e saísse, entre o tédio e exaustão, do decadente Salão das Ideias Festivas. Ao encontrar finalmente – e no lugar de sempre – a caneta e o caderninho surrado de anotações estéreis, ele hesitou antes de dar concretude ao milagre…

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