Skip to content

POLZONOFF Posts

C. Q. D.

O fracasso é libertador. Ah, se é. E, levando em conta que a literatura brasileira contemporânea (e nem tão contemporânea assim) é um inegável fracasso de público e crítica, mais aquele do que essa, fico pasmo que nós (escritores, leitores e os raros que são as duas coisas), fracassados dessa Grande Nação Ágrafa, não tenhamos nos jogado no infinito bungee jumping que é a liberdade*. Porque, amigo, me permita a sinceridade: ninguém lê. Prova disso é você mesmo, que chegou até aqui, torceu o nariz ao prever, sabe-se lá por quê, que meu texto ficaria nesse ramerrame ressentido de escritor…

Share
Comments closed

Ora, direis, ouvir estrelas!

Hoje em dia tudo se avalia. Você pede uma pizza e cinco minutos depois recebe o e-mail do aplicativo pedindo que se dê estrelinhas para o atendimento, a embalagem, o sabor e, se calhar, até a roupa do entregador. Você vai à farmácia comprar uma simples aspirina e lá está a maquininha pedindo, implorando e às vezes mandando que você avalie o atendimento com as tais estrelinhas – mesmo que você não tenha sido atendido por ninguém em sua sofrida busca por um remédio que aliviasse a dor de cabeça. As estrelas (invariavelmente de um a cinco, mas às vezes…

Share
Comments closed

A bondade

  Lá pelas tantas ela interrompe a programação normal, se vira para mim e, com toda a ingenuidade de seus olhos castanhos, me pergunta: “Você já fez alguma bondade na vida?” Abro um sorrisão de dentes tortos, certo de que vou encontrar no sótão da memória cem mil exemplos a provar, de uma vez por todas, que sou aquilo que penso ser: uma pessoa inquestionavelmente boa e, se calhar, destinada a todas as benesses do Paraíso. Mas os segundos avançam e… nada. Tento dar uma de espertalhão e, enquanto abro histericamente todas as caixas que podem conter um precioso ato…

Share
Comments closed

A maratona dos quilômetros insondáveis

Cheguei até aqui. Nem sei como. Nos últimos quilômetros estava completamente quebrado. As pernas não respondiam mais, me faltava o ar. Quando avistei a subida lá no quilômetro trinta e três, me desesperei. Quase desisti. Mas aqui estou. Cheguei. No começo, confesso, não estava muito a fim. Nem sei como fui parar na linha de largada. Uma sensação de desafio, talvez? Ou era simplesmente meu “dever”? Sei lá. Só sei que soou o tiro de largada e eu não contive o choro. Dizem. Não lembro. Os primeiros quilômetros foram uma espécie de transe. Não me lembro de muita coisa. Era…

Share
Comments closed
Let's talk