Onde encontrar a sabedoria?

por Paulo Polzonoff Jr.

Esta semana me lembrei de uma leitura já antiga, mas não desbotada: a de Onde encontrar a sabedoria, de Harold Bloom. Não é segredo para ninguém tenho Bloom como uma espécie de guru intelectual. Foi justamente ele quem conseguiu me fazer entender para que serve a literatura – donde se deduz, claro, que eu acho que ela serve para alguma coisa. Para quê? Justamente para se encontrar a sabedoria.

Será necessário dizer que sabedoria é diferente de inteligência? Pois é. Ainda que, em geral, para se alcançar a sabedoria a inteligência seja um dos requisitos. Ouso dizer que todo sábio é inteligente, embora não seja, necessariamente, um poliglota e nem tampouco precise ser capaz de resolver uma equação de segundo grau. Mas nem toda pessoa inteligente é sábia.

Esta questão da sabedoria emergiu aqui em casa nos últimos tempos. Afinal, para que serve a sabedoria que tentamos absorver de tantas e tão diferentes fontes? O que me leva a pensar que sabedoria é, necessariamente, uma “habilidade” pragmática. O problema se apresenta e você tem de refletir sobre ele ou senti-lo com sabedoria. Para, então, agir. De outra forma, é tão-somente inteligência. Ou nem isso.

Não que aplicar a sabedoria seja algo fácil. Mas, ora, ninguém disse que é fácil! Talvez até por isso Harold Bloom, em seu livro, nos ofereça direções gerais de onde encontrar a sabedoria. Agora, como compreendê-la, apreendê-la e o que fazer com ela são outros quinhentos. Qualquer autor que pretenda ensinar isso é, para usar um eufemismo, equivocado.

O problema é que a sabedoria não é assim um pó mágico que a gente possa usar quando bem entender. São necessárias condições especiais. Na maioria das vezes – e falo por experiência própria – a sabedoria está lá, mas há fatores externos que o impedem de utilizá-la. Há algumas semanas, por exemplo, fui acometido por um “surto” de insegurança profissional, motivada por uma palavra. Uma palavra! Embora soubesse que minha reação não era nada sábia, não conseguia adequar a compreensão disso à situação. Mentalmente, evoquei todos os sábios que já li e que pensei ter compreendido um pouco. Pensei em transitoriedade, em resignação, em humildade. Nada deu certo. Até que me rendi ao tempo – e as coisas, como sempre, se ajeitaram.

Claro que o fato de eu ter me rendido ao tempo sugere o emprego de algo parecido com a tal sabedoria. É uma leitura possível. Passada a dificuldade, contudo, fiquei pensando justamente no porquê de não ter conseguido usar toda a abstração sábia que julgava sedimentada em mim.

É aqui que talvez valha mencionar uma das melhores coisas que Bloom, o rei Salomão, Freud e até Shimon ben Yohai me ensinaram: sabedoria é algo que se cultiva ao longo da vida. Não existe um homem sábio; o que existe é um homem sempre em busca da sabedoria. E mesmo o mais sábio dos homens pode muito bem agir sem sabedoria, num e outro momento. Reconhecer-se falível, aliás, é um dos segredos para se alcançar algo parecido com a sabedoria.