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O ladrão que por acaso era santo

E tal e coisa e tinha este ladrão. Um homem para lá de inteligente que em certo momento da vida achava que era Papai Noel. Sério. Foi na adolescência. O cara simplesmente surtou enquanto via os hormônios tomarem conta do seu corpo. Ele estava sentando a um canto, pensando numa menina que vira no ponto de ônibus e que revirara sua cabecinha oca e assim, sem mais nem menos, pensou que era o Papai-Noel. Só porque a mocinha não olhara para ela. Não se pode, porém, culpá-la: ele era feio como o demônio. Ou como a Frida Kahlo. O leitor escolhe a comparação que mais lhe aprouver.

Sessão de psicanálise para cá, sessão de psicanálise para lá, uns eletrochoques, umas injeções de glicose e o mocinho saiu do manicômio crente de que não era o Papai Noel. Por sinal, foi uma das enfermeiras quem lhe disse na cara dura que Papai Noel morava na Lapônia. Como ele sabia que, como todo louco que se preze, nascera em Nauru (na verdade, a ilhota onde o nosso ladrão surgiu para o mundo ficava mesmo era no interior de São Paulo, mas tudo bem) e sabia que a Lapônia ficava a trilhões de quilômetros ao norte, deduziu por lógica de eletrochoques que não era Papai Noel. E estamos conversados.

O espírito altruísta, contudo, não deixou seu corpo esguio, de cabelo escovinha, típico dos loucos varridos que se acham recuperados em filmes ou contos ou crônicas cheios de lugares-comuns, que muito bem podem ser interpretados por Ralph Fiennes ou escritos por este que vos fala. Louco de pedra, ficou matutando primeiro durante minutos, depois horas, dias, meses e anos o que fazer para ajudar aos pobres e desvalidos.

Não chegou a nenhuma conclusão de bate-pronto. Passaram-se cinco anos e ele lá, ainda pensando. Sorte dele é que durante este tempo todo, não podendo ficar em casa sob o risco de virar uma pessoa normal, com emprego, salário, mulher, filhos e potes de palmito para abrir, passou todo o tempo disponível entre um pensamento e outro na biblioteca. Tornou-se, assim um louco ainda mais louco porque um louco culto.

Sabia de cor os principais trechos de Shakespeare. E tinha teorias mirabolantes, como é próprio de um louco, para cada vocábulo novo que encontrava em Guimarães Rosa. Admirava Machado de Assis, sobre o qual tinha a certeza digna de um são que não era de que Capitu traíra, sim, Bentinho. Seu escritor preferido, porém, era Proust, pela caudalosidade das frases que lhe pareciam muito naturais, na profusão de vírgulas que se assemelhava aos seus pensamentos. O tempo que gastou em bibliotecas serviu também para que ele aprendesse o que era ruim, no meio de tantos livros. E fazia isso observando as pessoas.

Como aquele menino em semi-andrajos que entrou na biblioteca e foi direto na seção de literatura americano, na letra K. Depois na G. E depois na L. Pegou Jack Kerouac, Alan Ginsberg e Timothy Leary, respectivamente. Curioso entre a relação leituras e cheiro do moço (que não era dos melhores, obviamente), na semana seguinte o nosso louquinho que vai se tornar ladrão já, já resolveu ler a tríade apocalíptica. E súbito entendeu porque fedia tanto o moço em semi-andrajos que mais tarde ele descobriu morar numa pequena mansão. Isso, contudo, foi muito depois de ele ter seguido a menina que entrava na biblioteca sempre de óculos escuros com lentes alaranjadas, que todas as semanas ia direto na letra B da mesma seção de literatura americana que o nosso beatnik tardio. O louco de pedra ficava imaginando o casal, ela cheirosa e arrumadinha e coloridinha e ele feio, fedido e sujo. Formariam um casal perfeito, por certo. A menina em questão, observou o louco, lia apenas um autor. E relia e relia e relia: Bukowsky. Pena o louco ter abandonado esta vida de analista de freqüentadores de biblioteca, porque perdeu o grande salto qualitativo das leituras da moça, que passou do Bukowsky a Paulo Leminski em algumas semanas. E depois achou que podia ser escritora, mas isso também é outra história.

Pois juntando esta cultura com o espírito altruísta advindo da loucura ele decidiu virar um ladrão. Um ladrão que deveria ser beatificado, já se disse aqui. Por que o que ele operou na vida de suas vítimas foi um verdadeiro milagre.

Veja só esta pobre alma que foi uma das primeiras a sofrerem a graça do roubo do ladrão que deveria ser beatificado, tamanho foi o bem que causou à humanidade. Era um jovem, branco e de classe média, filho de pais funcionários públicos, que estudou nos melhores colégios do mundo e que em certo momento recorda-se de ter dormido numa aula sobre Olavo Bilac, o pobre. Pois o quarto do jovem tem um pôster. É de um jogador de basquete americano. Pôster em tamanho natural. E na parede oposta há flâmulas do time de basquete. E sob a cama há tênis de basquete e duas bolas de basquete. Só que o jovem não quer ser jogador de basquete nem pode, porque não mede mais que o suficiente para poder brincar na montanha-russa sem ser interpelado pelo funcionário do parque de diversões. Ademais, todas as vezes em que tentou jogar uma bola ao cesto acabou por ser expulso da quadra, diante das risadas escandalosas de seus colegas de time. O fato, porém, não é a preferência esportista do jovem, que se daria muito bem como jóquei, é preciso dizer; o fato é que ele escuta rap.

Rap, para quem não sabe, é um gênero pobre, nascido ao que tudo indica nos guetos negros dos Estados Unidos. Não tenho certeza. Nem eu nem o ladrão em sua loucura sabemos ao certo como nasceu a excrescência musical que assola os tímpanos do nosso jovenzinho. Sabemos, porém, o necessário a todos os seres humanos: trata-se verdadeiramente de uma excrescência musical que hoje não mais depende de classe social para disseminar seu incrível poder de apodrecimento neuronal, uma vez que está acessível a todo mundo. Dizem por aí, inclusive, que grande consumidor da coisa são mesmo os brancos de classe média, tratados quase sempre como algozes dos negros que rimam amor com caralho (!) e se acham poetas. O fato, vale repetir, é que o nosso jovenzinho gosta de rap.

Ou pensa gostar. Um traço comum aos jovens é que não têm gosto próprio. Gostam daquilo que o menino mais popular da escola gosta ou daquilo que a menininha gostosinha da oitava série gosta. O nosso jovenzinho que não tem nome, como todas as vítimas que se prezem, não foge a esta regra e escuta rap. Se ainda escutasse Eminen, com a desculpa de estar aprendendo inglês para depois ler Milton, vá lá, mas escuta Mano Brown, que considera poeta. Um delinqüente legítimo.

É aqui que entra nosso ladrão. Nosso bom e maluco ladrão, Papai Noel da Nauru imaginária, que dá aos escolhidos pela graça de seu bom gosto adquirido assim meio sem querer o poder de ter uma segunda opção e de não cometer o erro de destruir o cérebro novamente. Haverá aqueles que pensarão nele como um presunçoso, sem entender que o que nosso ladrão dá é na verdade a chance de poder pensar no por que de se estar lendo, ouvindo, vendo tal porcaria. Uma missão realmente sagrada e que logo se tornaria seita com milhares de seguidores ao redor do mundo, como se verá ainda, alguns parágrafos abaixo.

Pois nosso ladrão, com o cabelo escovinha que lhe é característico, seguiu o menino até sua casa num bairro chique. Tomando o devido cuidado para não ser confundido com um ladrão qualquer, destes para os quais o inferno é penitência pequena. Viu o garoto percorrer todo o caminho até a casa luxuosa fazendo aqueles gestos típicos de rapper, que o assemelhavam a um doente mental de dano neuronal médio. Não era ainda um caso perdido, o garoto.

A vítima entrou na casa enquanto nosso ladrão dava a volta por trás, num terreno baldio. Trepou no muro e entrou num jardim com uma piscina. Podia seguir o jovenzinho corrompido a distância, porque agora ele cantava o rap que escutava no walkman em alto e bom som. Assim, subiu as escadas tomando cuidado para não ser interpelado por nenhum emprega naquela Casa Grande anacrônica. Ouviu o jovem entrar no quarto, mas sem trancá-la pelo lado de dentro, como é normal nesta idade.

Entrou com tudo. Deu um soco no garoto, que estava precisando de umas palmadas mesmo. Como ele não desmaiasse qual nos filmes americanos, deu-lhe mais um soco e um chute nas suas partes frágeis. Foi o último golpe que prostrou o menino no chão. Enquanto o jovem dormia seu sono dolorido, o ladrão fazia a festa: tirou um saco que trazia sob a camiseta, dirigiu-se à discoteca do garoto e com rapidamente encheu o saco com CDs de rap de todos os grupos conhecidos e desconhecidos. Mais de cem. Ali, descobriu o tamanho do estrago: o garoto, além de rap, escutava heavy metal. Era demais.

Na saída, deu mais um chute no garoto que ameaçava acordar. Ele estava precisando de umas palmadas mesmo.

Para quem se chocou com a violência desta incursão do nosso herói pelo mundo da salvação alheia, vale avisar que isso não ais se repetirá. Foi movido pela violência que é própria do rap que ele deu uns belos socos e chutes no pobre menino. Para se ver o que rimas imbecis podem fazer ao espírito humano. Se o mais santo dos homens foi capaz disso, que dirá de um mero mortal com meia dúzia de idéias na cabeça?

Nosso ladrão teve o cuidado de quebrar um a um os discos que roubara na casa do moleque. Louco que era, depois de bater com o martelo cem vezes em cada disco, tentava recompô-los. Em não conseguindo, depois de duas horas de tentativas, dava-se por satisfeito. Demorou quatro dias e quatro noites oi trabalho do abnegado, ao fim dos quais foi ele procurar outra vítima para ser salva.

O menino? Bem, o menino, no dia seguinte, gastou boa parte da sua mesada comprando os discos novamente. E acabou virando celebridade entre os seus colegas, por ter sido vítima de um assalto no qual, como contou no recreio, lutou bravamente pela honra da irmã prestes a ser violentada.

Nosso ladrão, em não tendo conhecimento deste fracasso teórico, partiu em busca de outra vítima. Que encontraria por acaso dias mais tarde, na porta de um cinema. Quero dizer, havia uma porta com um toldo furado em cima, no qual podia-se ler as letras NMA, com os respectivos espaços entre elas. Era, para todos os efeitos, um cinema, sobretudo para as pulgas que o freqüentavam diariamente, sem descanso, apesar de ali o alimento ser escasso. Pois na porta deste lugar havia um homem, jovem também, mas velho o suficiente para ter uma barba rala e para usar óculos e boina de quem quer se passar por velho e maduro. Ele iria assistir, para o desgosto do nosso ladrão, Goddart. Era um filme que tratava da guerra na Bósnia daquele jeito que só Godard sabe tratar tão mal e que trazia no título o nome de Mozart, só para atrair a cinemas infectos gente como este homem, que aqui chamaremos de Abelardo, na falta de outro nome.

Abelardo comprara ingresso já e o exibia à porta do cinema. O ladrão passará por ele e, não se agüentando de nojo, cuspira na sarjeta. Com um movimento rápido, tirou o ingresso da mão do pobre-diabo que estava prestes a perder duas horas de sua inútil vida, mas ainda assim duas horas. E saiu calmamente, sem temer que Abelardo percebesse a falta do tíquete. Enquanto guardava o ingresso no bolso esquerdo da calça, para cortá-lo em dezenas de pedacinhos que mais tarde tentaria colar por duas horas cronometradas a fim de perceber-se perfeito na aniquilação do mau-gosto, lembrou de um homem que com ele dividia diariamente a sessão de eletrochoques. Falava só francês e andava de um lado para outro no hospital psiquiátrico com uma câmera imaginária na mão, repetindo: “Obra-prima, obra-prima, obra-prima”.

Abelardo, achando que o vento tinha levado seu ingresso, fez menção de ir à bilheteria comprar um outro tíquete que permitiria sua entrada no paraíso gastronômico das pulgas. Vasculhando os bolsos, contudo, descobriu que só tinha dinheiro para mais um gole de cachaça. Goddard podia muito bem esperar a outra encarnação.

E assim se sucederam dezenas de roubos solitários. O maior imprevisto que lhe aconteceu foi ter se apaixonado por uma de suas vítimas. Chamava-se Maria. Apenas Maria e ele a seguira desde a biblioteca pública que voltara a freqüentar. Ela chamou sua atenção por não ser uma perdida absoluta. Na verdade, parecia uma mulher muito bem encaminhada, que pegava um Dostoievski aqui, um Guimarães Rosa ali. Tudo bem que não tinha um Proust em sua biblioteca. Isso não fazia tanta diferença assim. Até que Maria entrou na seção de literatura americana e foi direto na letra F. Com aquele sorriso mórbido no rosto. Procurou algo nas prateleiras que não era F. Scott Fitzgerald. E logo o sorriso mórbido transformou-se em muxoxo para virar sorriso novamente: ela tivera uma idéia. E o nosso ladrão atrás dela, claro.

Saíram da biblioteca, ela na frente, ele atrás, como convém. Enquanto ela descia as escadas deixou cair uma caderneta de telefones na qual lia-se somente o prenome: Maria. O ladrão, que além de louco é cavalheiro. Pegou a caderneta e apressou-se para devolvê-la à moça. Foi aí que ficou sabendo seu nome e, com uma conversinha rápida, que ela estava indo à livraria do outro lado da praça. “Vai comprar o quê?”, perguntou o ladrão, ciente de que uma resposta certa daria a Maria a graça eterna de ter em seu encalço um louco, sim, mas um louco de bom gosto pelo menos. E ainda por cima gentil. Ela, porém, respondeu: “John Fante”. E ele estremeceu.

Já estava apaixonado, contudo, e a seguiu até a livraria. Enquanto ela ia direto onde supunha estar o livro do medíocre, ele se deteve numa estante que só continha dicionários, que ficou folheando a esmo, sem tirar os olhos da moça. Instalou-se o dilema: mais valia a paixão ou a compulsão louca ao mesmo tempo em que santa em surrupiar-lhe o livro e rasgar cada página em dezenas de pedaços impossíveis de serem restaurados? Ademais, como podia ele se apaixonar por alguém que gostava de John Fante? Ela perguntava para o vendedor se tinha o livro que aparentemente não encontrara sozinha, tamanha sua ansiedade. Diante do movimento afirmativo do vendedor com espinhas na cara, ela quase lhe deu um beijo, enquanto o nosso ladrão que ela louco e santo por acaso sentiu vontade de vomitar.

Tudo estava acabo em cinco minutos. De posse do asqueroso livro ela se dirigiu ao caixa e pagou. Lá de longe deu uma piscadela para o ladrão, com o qual julgava já ter uma estranha e urgente intimidade. E veio saltitante ao encontro dele, mostrando a sacola que continha o livro tão aguardado. Ele riu amarelo. Estava apaixonado ao mesmo tempo em que a luz divina do bom gosto o cegava. Caminhou ao lado dela, perguntando numa tentativa que sabia frustrada: “Por que você não leva esta nova tradução do Dostoievski?”. Ela riu, somente, dando de ombros no átimo seguinte. E ele não teve dúvidas, neste momento, de seu caminho rumo ao Paraíso.

Na rua, pediu para ler o livro. Com o Fante na mão, apertou o passo. Ela o acompanhou a princípio, andando como se estivesse praticando marcha atlética. Ele, com o vigor físico que é próprio dos loucos, não desacelerou. Ela pensou em chamar a polícia, mas sentiu-se atraída por aquele homem, e por isso calou-se. Na rua mesmo, e só porque estava mais louco que o normal, por conta da paixão inesperada, rasgou o livro em mil e um pedacinhos.

Estas, no entanto, são histórias de um tempo remoto. O santo louco era somente um homem com uma missão solitárias quase sempre inócua. Apesar de poderem refletir sobre comprar ou não o CD de rap roubado, de ver ou não o filme de quinta categoria com discurso falacioso, de ler ou não mais uma besteira concretista, muitas das vítimas tocadas pela graça do bom gosto feito homem pela mão de Deus preferiam cometer o erro novamente. E lá iam escutar o disco de rap mais uma vez, ver o filme novamente, com um saco gigante de pipocas ou perder boas horas lendo um escritor que mal sabe juntar bê com e.

Hoje em dia o santo que é louco mas não é demente conta com uma rede de seguidores, também anônimos. Outro dia, na Colômbia, vários destes missionários do bom gosto entraram num museu e roubaram cinco quadros com as indefectíveis gordinhas de Botero. Soube-se de um colecionador de música sertaneja brega, um destes fazendeiros com milhões de cabeça de gado, que ficaram milionários do dia para a noite depois de encontrar um veio quilométrico no garimpo, que foi seqüestrado e declarou ter passado por sessões de tortura inusitadas: os seqüestradores, que não haviam pedido resgate, colocaram em seus ouvidos Bach, Beethoven, Chopin, Mozart e Schubert, dia e noite. Os ladrões hoje também se prestam a atos de terrorismo cultural, não recomendados e que certamente seriam desaprovados pelo ladrão que deveria ser beatificado, aquele ser primordial que zelava pelo bom gosto alheio: apedrejam museus dedicados ao movimento dadaísta, cospem nas estátuas dos escritores beatniks e soltam arrotos intermináveis no meio de um show do Ivan Lins, por exemplo. São radicais de um movimento que nasceu puro, porém.

Sobre o nosso ladrão mesmo sabe-se pouco. Que na adolescência achava que era Papai Noel. Que jurava ter nascido em Nauru, uma ilhota minúscula no Oceano Pacífico que vira de relance num globo terrestre quando tinha sete anos e dela jamais se esquecera. Que foi internado sucessivas vezes em manicômios, dos quais saiu sob os aplausos dos médicos ao seu cabelinho escovinha. Que as pessoas na rua o confundiam com Ralph Fiennes, o que faz crer que ele era muito parecido com Ralph Fiennes, não? E que começou a roubar para ver se salvava a vida das pessoas das mentiras sedimentadas ao longo das décadas pelos suplementos culturais. Não consta que tenha sido preso, nem tampouco que alguma vítima tenha prestado queixa de seus roubos. Dele não há um retrato-falado, se bem que tal tarefa não seria difícil, ora, se ele é a cara do Ralph Fiennes!… É bem provável que ainda esteja por aí, praticando seus delitos sob as bênçãos de Deus. Pode ser, contudo, que tenha morrido. E que sua alma tenha ido direto para o Céu. Por isso, se aquele disco de funk melody tiver sumido ou se o dinheiro para o novo filme iraniano tiver sumido misteriosamente do bolso da calça ou ainda se na estante estiver faltando o mais recente lançamento da mais recente fraude literária, convém acender uma vela: foi milagre do ladrão. Que deveria ser beatificado, tivesse ao menos um nome.

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Publicado comoCrônica