O fracasso

Todo os dias, acordo ao lado do fracasso. Ele me encara logo cedo e abre a boca para me amedrontar com seu hálito fétido. Mas, em geral, fica em silêncio. Sua presença é incômoda, claro, mas não insuportável.

E há dias como hoje. Em que o fracasso me humilha, me tortura e me desespera. Ele me persegue pela casa, me dá rasteiras, grita em meu ouvido. O fracasso pega em minha mão e me obriga a apalpá-lo, provando que é real, que é sólido, que é inegável.

Em dias assim, só me resta ansiar pela noite – ou pela morte, o que vier primeiro. Mas a morte nunca vem, então me contento em ver o Sol se pondo e o fracasso perdendo força, ou melhor, me deixando ali na sala, na companhia de sua outra face, a solidão.

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