Licença

Peço licença para hoje, só hoje, morrer um pouquinho. Assim uns minutos passar no purgatório, rever amigos no inferno e apertar a mão de Deus no Palácio Entrenuvens.

Peço licença para hoje, só hoje, esquecer e ser esquecido. E no minuto seguinte ser lembrado e velado e remontado por dezenas de histórias e mentiras a meu respeito.

Peço licença para hoje, só hoje, sair do meu corpo e ir por aí assombrar as meninas que ignoraram minha existência. E os inimigos que atravancaram meu caminho. (Bu!)

Peço licença para hoje, só hoje, achar que todos os dissabores e o aprendizado a ferro valeram a pena. E que na Eternidade minhas virtudes serão um orgasmo também ele eterno.

Peço licença para hoje, só hoje, ver as lágrimas que antecedem o gradual e irrevogável oblívio.

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