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Ressurreição cotidiana

Às vezes, aqui no Cristo Rei, com o tumulto diário de dois hospitais, ônibus biarticulado, carros e o histérico trem, faz um silêncio absurdo, meio mágico, e é como se eu estivesse dentro d´água. Nessas horas (acabou de acontecer!) eu me levanto, não raro assustado, me perguntando se caiu um meteoro nas redondezas e ninguém me avisou. Vou até a janela e vejo que até as árvores (umas palmeiras que não combinam nada com Curitiba) fazem silêncio. Até que, invariavelmente, passa uma moto ou um Fusca 78 – e saio do meu transe milagroso. E epifânico. Nesses momentos, sempre me…

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Elogio da alienação

Há quem comemore a politização extrema do brasileiro contemporâneo. Não faltam aqueles que exaltam o “único lado bom” da atual crise política: o cidadão comum está tão imerso no debate político que sabe o nome de deputados, senadores e até dos ministros do Supremo. O que é, evidentemente, uma tragédia. Povo politizado não é só povo infeliz; é povo oprimido. O mito do povo politizado faz parte, como não poderia deixar de ser, da narrativa da esquerda. Sempre foi assim. Ainda nos bancos escolares dos anos 1980 eu ouvia dizer que era importante se interessar por política. Fui obrigado a estudar…

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Tolerância (texto curto com plot twist)

Só consegue ser tolerante quem é pleno em suas convicções. É a dúvida, autodúvida, o que gera essa reação sempre instintiva e raivosa de querer a aniquilação do contrário ou mesmo do diferente. Aniquilação esta que se dá por vários meios, do silêncio ao tiro. Por isso mesmo é que eu, hétero assumido, sou tolerantíssimo com quaisquer outras manifestações da sexualidade. E, fã de todas as carnes do mundo e viciado em proteína animal, não tenho nenhum problema com o surgimento de açougues veganos, por exemplo. Se sou intolerante às vezes (às vezes!) é só quando vejo se manifestar perto…

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Marielle Bandida

(Leia antes de espernear) A ideia lhe veio como um milagre mal disfarçado de acaso. Ele se levantou e se amaldiçoou por não ter papel e caneta por perto. Quem foi que pegou minhas coisas, quem mexeu na minha bagunça?, perguntou ele para o apartamento vazio. E a cada segundo o medo de que o milagre se cansasse da fantasia e saísse, entre o tédio e exaustão, do decadente Salão das Ideias Festivas. Ao encontrar finalmente – e no lugar de sempre – a caneta e o caderninho surrado de anotações estéreis, ele hesitou antes de dar concretude ao milagre…

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