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Category: Crônica

O suicídio do menino Ney ou: a queda

Todo mundo se lembra de onde estava quando anunciaram a morte do menino Ney. Minha prima Clara, por exemplo, estava no velório de um parente distante e conta que a dor na capelinha triplicou quando alguém leu a notícia na Internet. Meu pai estava no trânsito e teve de parar no meio da avenida movimentada para assimilar o golpe. Dizem que, nas cidades menores, hordas de meninos saíram às ruas, as bolas de capotão sob os braços, chorando a ponto de abafar o som dos incansáveis carrilhões. De minha parte a lembrança seria para sempre outra. Jamais me esqueci nem…

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Senta que lá vêm dúvidas

É estranha a lógica das redes sociais e o fascínio que essa mesma lógica, ou melhor, falta de lógica, desperta nos usuários – eu entre eles. A coisa toda nasceu como uma forma de você expor ao mundo suas ideias mais interessantes e seus sentimentos mais aflorados, da tristeza à raiva, passando aqui e ali por um segundinho de felicidade. As redes sociais, portanto, seriam uma forma de comunhão, embora sem a Graça e a empatia. Mas qual o propósito dessa exposição? Ou, para usar uma imagem eclesiástica, o que pretende o Grande Confessor (e o que esperamos dele) que…

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Buceta rosa

Hoje quis escrever um texto sobre o caso da “buceta rosa”. Na verdade, ontem. À noite. Antes de dormir. Pus a cabeça no travesseiro e, entre um ronco e outro, rascunhei mentalmente a história toda. Houve um momento, antes de finalmente pegar no sono pesado, em que cheguei a pensar que a história renderia um romance – ou no mínimo uma novela. Mas daí o dia nasceu, outros trabalhos tiveram prioridade e o texto, a despeito da gritaria na minha cabeça, acabou abortado. Para quem não sabe ou chegou aqui por acaso, movido pelo título sensacionalista ou por instintos primitivos…

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Um livro não é um livro não é um livro

Reza a lenda que JD Salinger deixou de publicar suas histórias porque queria que um livro fosse apenas um livro. Isto é, ele queria uma capa sem imagens, nada de orelha ou texto no verso e, evidentemente, nada do próprio nome ali estampado como se fosse, para o leitor, uma garantia de qualidade. Salinger queria que o livro fosse apenas um meio de transmitir histórias e conhecimento, sem o auê todo em torno do objeto e, por consequência e perversão própria do nosso tempo, do autor. Mas a maior ambição de Salinger com esse projeto natimorto era mesmo a criação…

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