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Category: Crônica

O pronome relativo ou: bola na trave não altera o placar

Na segunda ou terça-feira, li uma matéria dizendo que apenas oito porcento da população brasileira é capaz de ler e compreender um texto com fluência plena. Na quarta, comecei a escrever o texto sobre o ex-professor que me disse que meu estilo era dogmático demais. E, na sexta, tive um pequeno entrevero com alguém por causa de um pronome relativo. Não foi coincidência, pois, que desde segunda-feira eu andasse meio irritado – com o mundo e comigo mesmo. Com o mundo porque ele é incapaz de compreender um texto em sua totalidade (quanto mais na sua beleza), e isso me…

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Ao mestre, com carinho

Cristóvão Tezza, ele mesmo e nenhum outro, foi meu mestre. Meu maior mestre. Ao longo dos últimos vinte anos, tive a sorte de contar com outros tantos mestres, mas ouso dizer que nenhum teve nem vai ter a mesma importância do professor que desde meus dezessete anos tento, em vão, conquistar, naquele conflito que Freud já analisou muito bem. Tezza é o andar térreo deste edifício de engenharia temerosa que atende pelo nome de “eu”. Levei muito tempo para assumir isso. Para chegar a esta conclusão que, neste momento, me parece a mais óbvia do mundo. Talvez porque, idiota que…

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Eu não vou mudar o mundo

Eu não vou mudar o mundo. Não vou mudar o mundo para mim, não vou mudar o mundo para minha família, não vou mudar o mundo para meu filho, não vou mudar o mundo para minha mulher, não vou mudar o mundo para o meu vizinho, não vou mudar o mundo para o tiozinho que mora do outro lado da rua. Não, eu não vou mudar o mundo para ninguém. E isso é bom, mas também é ruim. É bom porque o mundo não seria necessariamente um lugar melhor se eu o mudasse. Imagine, por exemplo, que tedioso seria um…

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Eu não sou besta pra tirar onda de herói

Não adianta. O canudo plástico caiu em desgraça e parece mesmo destinado à extinção. Aqui do conforto do meu apartamento no meio de uma metrópole, testemunho a extinção dos canudos sem saber se se sou a favor ou contra. Não é assunto que eu considere razoavelmente relevante. Mas, embora eu seja absolutamente contra o Estado se intrometendo nesse tipo de coisa, estou aberto, sim, à possibilidade de o canudinho representar um problema tão ameaçador ao meio-ambiente que justifique sua proibição sumária. Vou dormir achando que a questão está encerrada, mas no dia seguinte me surpreendo com aquilo que chamarei de…

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