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Author: Paulo Polzonoff Jr.

A Era das Ideias Imperdoáveis

Aos meus leitores do futuro desmemoriado (isto é, a partir da semana que vem), convém contextualizar: em maio de 2018 o Brasil enfrentou uma greve de caminhoneiros que teve graves consequências para o país, tanto econômicas quanto políticas. Houve gente apoiando o caos e a baderna e, pior, muita gente pedindo a queda do governo e uma intervenção militar. Além da ignorância histórica (histórica em si e em relação à história) e econômica, essa greve acabou expondo outra crise, esta de ordem espiritual. E não, não estou falando aqui de religiosidade, de ser católico ou macumbeiro; estou falando de transcendência…

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O umbigo

Era uma vez um escritor que nunca tinha começado uma história com “era uma vez” e achou que estava mais do que na hora de usar esse delicioso chavão. Num dia qualquer, desimportante demais para ter sido anotado por qualquer um, o escritor, batizado ainda agorinha há pouco de Aroldo Amétodo, saiu do claustro escuro de seu apartamento a fim de expor seu umbigo na praça para quem quisesse (ousasse?) admirá-lo. Não foi uma decisão tomada às pressas. Ah, de jeito nenhum! Tampouco foi um gesto autocondescendente, autocongratulatório ou (como ouvi alguém cochichar) de autopiedade. Não. Amétodo sofreu muito antes…

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Meu velho

Oi, Paulo.   Estou aqui para lhe dar, antes de mais nada, os parabéns. Porque apesar de tudo, das depressões adolescentes, das crises profissionais, das noites mal dormidas, das dúvidas profundas, do luto por amigos que se foram cedo, do medo de consultar o extrato bancário; apesar do excesso de Coca Zero, do sedentarismo incorrigível, da ojeriza a médicos e exames de quaisquer tipos; apesar da crença de que o futuro era escasso e de que a morte o aguardava em cada esquina você chegou aos oitenta anos. Aqui do conforto dos nossos quarenta anos me esforço para imaginar o…

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Uma boceta de palavrões

Cresci numa casa onde era proibido falar palavrões. Crime gravíssimo, punido com uma medieval cintada na bunda. Isso, claro, só tornou os palavrões ainda mais fascinantes para a criança algo rebelde que fui. Não entendia o poder transgressor daquelas palavras e ao mesmo tempo me admirava com a capacidade que elas tinham de fazer rir, enraivecer ou ruborizar o ouvinte/leitor, sobretudo a minha avó (que, apesar disso, não hesitava em soltar um nada ingênuo “cazzo”). Meus primeiros contatos com palavrões se deram graças à falta de educação, deselegância e provocação mesmo de uns tios e primos bocas-sujas nas festas familiares.…

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