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Author: Paulo Polzonoff Jr.

Um livro não é um livro não é um livro

Reza a lenda que JD Salinger deixou de publicar suas histórias porque queria que um livro fosse apenas um livro. Isto é, ele queria uma capa sem imagens, nada de orelha ou texto no verso e, evidentemente, nada do próprio nome ali estampado como se fosse, para o leitor, uma garantia de qualidade. Salinger queria que o livro fosse apenas um meio de transmitir histórias e conhecimento, sem o auê todo em torno do objeto e, por consequência e perversão própria do nosso tempo, do autor. Mas a maior ambição de Salinger com esse projeto natimorto era mesmo a criação…

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Sonhos

Quando estava no fundo mais fundo do poço profundo em que me enfiei por umas tristezas que nem vale a pena comentar, costumava dizer às pessoas que não tinha mais sonhos. E por um motivo simples: eu havia realizado todos os meus sonhos até então. E não falo dos sonhos bobinhos que todo mundo tem. Se bem que esses também (com o perdão pela rima). Plantei minha primeira árvore ainda criança, no colégio. Passei por lá outro dia e vi que as árvores deram lugar a um condomínio, mas isso não é problema meu. Livros antes dos trinta eu já…

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Sou este homem

Sou este homem que diz sempre “muito prazer” ao conhecer um estranho, mesmo que seja mentira. E que, ao longo da conversa, sempre dá um jeito de encaixar um “tô cansado”, mesmo não estando. Porque, no fundo (ou nem tão no fundo assim, vai), sinto uma inveja danada daquelas pessoas que chegam ao fim do dia sem tempo ou energia para refletir sobre a singularidade ou para criar super-heróis heterodoxos em textos que não encontram leitores nunca. Sou este homem louco para conversar com alguém, eternamente carente de amigos ou mesmo de colegas ou conhecidos ou não. Ao me deparar…

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O Impronunciável

— Então é assim? — perguntei para o nada. Ao meu redor, o branco fofo das nuvens infantis. Uns prédios dourados, possivelmente de ouro. O som de milhões de harpas dedilhadas por anjos nus, mas sem sexo. Aquele lá ao fundo é Borges soterrado por uma biblioteca infinita? Eu havia morrido e aquele era o Céu. Quem diria: as crianças é que estavam com a razão! Nuvens brancas, prédios de ouro, harpas. Só faltava me encontrar com… — Deus?! — exclamei-perguntei. Era o Próprio. Um Senhor de barbas brancas e manto igualmente branco. Olhos profundamente azuis e mãos estranhamente calejadas…

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