Skip to content

Author: Paulo Polzonoff Jr.

Gazeta, mon amour (também uma confissão)

  A Gazeta do Povo vai encerrar suas atividades. Tá, eles vão manter a edição eletrônica, mas, para mim, o fim do jornal impresso, soltando tinta, é a morte do jornal. O que nunca confessei a ninguém, mas confesso agora, é que a Gazeta do Povo foi o grande amor não-realizado da minha vida profissional. Por consequência, o fim do periódico meio que consolida a morte de uma parte importante de mim. A Gazeta do Povo sempre esteve presente na minha vida. Lembro-me de me levantar bem cedo no domingo, o gramado coberto pela geada, e subir uma baita ladeira no Bairro Alto a fim de comprar o jornal numa mercearia do bairro. E voltar para casa com aquele volumão, todo orgulhoso de ser um…

Share

D.

Na faculdade, eu era completamente apaixonado por uma menina muito magra e loira, a despeito da boca fina demais e do nariz estranhamente rechonchudo naquele rosto anguloso. Hoje sei que, a despeito do clichê, ou melhor, justamente por causa do clichê, o que me encantou nela foi a boina que usava numa aula do Hélio Puglielli. Passei quatro anos atrás da moça, sem sucesso. Depois da faculdade, ela se mudou para a Itália. Insistente ou persistente, não sei, continuei tentando conquistá-la por e-mail, que era como os homens das cavernas se comunicavam. Deu certo. Assim que ela voltou ao Brasil, começamos a namorar. Mas era um relacionamento fadado ao fracasso. Ela era evangélica atuante; eu… Bom, eu sempre fui uma confusão espiritual e naquela época…

Share

Dossiê Geneton

  Estou há sete horas tentando escrever algo sobre meu querido amigo Geneton. Na verdade, sete horas só hoje, porque há duas semanas penso que deveria escrever algo para homenageá-lo. Um texto que só poderia receber o título de “Dossiê Geneton”. Mas não consigo. Já pensei em falar um pouco do amigo que me ligava todos os meses para jogar conversa fora e até, pasmem!, para me pedir conselhos. Já pensei em contar nossas aventuras pela noite fria de Curitiba, há não muito tempo. Já pensei em simplesmente descrever a última conversa que tive com ele, a conversa que torna tudo absolutamente mais difícil. Mas não consigo. Há quinze anos esse amigo improvável entrou na minha vida e se fez presente em todos os momentos,…

Share

Paródia poética #1

Eu perco amigos como quem posta No Facebook, no Twitter. Me dá unfollow se por agora Estás revoltado e um pouco bitter   Meu post é burro. Por que não me calo? Fotos de gatos… Corrente não… Escrevo correndo. Nem sei o que falo. Quero ser o popularzão.   E nestes textos tão mal-escritos, Tanto fel da boca escorre Fica em silêncio, ó maldito!   – Eu perco amigos como quem morre.

Share

Elogio da Alienação

  Um dos piores legados do petismo é a politização exagerada das pessoas. Não aguento mais – e sei que você também não. Hoje em dia, fala-se de política o tempo todo – e não só na Internet, como podem pensar alguns. Acabei de pegar um ônibus e lá estavam duas velhinhas discutindo o impeachment, as manifestações populares, a esquerda e a direita. Há vinte anos, provavelmente estariam trocando moldes de costura ou analisando o comportamento da mocinha da novela das oito. É deprimente. E olha que sou do tempo em que os professores reclamavam da baixa politização da população. Meus professores diziam que o Brasil só melhoraria, sairia da crise (qualquer crise) e viraria um país do Primeiro Mundo quando as pessoas deixassem de…

Share