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Author: Paulo Polzonoff Jr.

Ao mestre, com carinho

Cristóvão Tezza, ele mesmo e nenhum outro, foi meu mestre. Meu maior mestre. Ao longo dos últimos vinte anos, tive a sorte de contar com outros tantos mestres, mas ouso dizer que nenhum teve nem vai ter a mesma importância do professor que desde meus dezessete anos tento, em vão, conquistar, naquele conflito que Freud já analisou muito bem. Tezza é o andar térreo deste edifício de engenharia temerosa que atende pelo nome de “eu”. Levei muito tempo para assumir isso. Para chegar a esta conclusão que, neste momento, me parece a mais óbvia do mundo. Talvez porque, idiota que…

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Eu não vou mudar o mundo

Eu não vou mudar o mundo. Não vou mudar o mundo para mim, não vou mudar o mundo para minha família, não vou mudar o mundo para meu filho, não vou mudar o mundo para minha mulher, não vou mudar o mundo para o meu vizinho, não vou mudar o mundo para o tiozinho que mora do outro lado da rua. Não, eu não vou mudar o mundo para ninguém. E isso é bom, mas também é ruim. É bom porque o mundo não seria necessariamente um lugar melhor se eu o mudasse. Imagine, por exemplo, que tedioso seria um…

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Eu não sou besta pra tirar onda de herói

Não adianta. O canudo plástico caiu em desgraça e parece mesmo destinado à extinção. Aqui do conforto do meu apartamento no meio de uma metrópole, testemunho a extinção dos canudos sem saber se se sou a favor ou contra. Não é assunto que eu considere razoavelmente relevante. Mas, embora eu seja absolutamente contra o Estado se intrometendo nesse tipo de coisa, estou aberto, sim, à possibilidade de o canudinho representar um problema tão ameaçador ao meio-ambiente que justifique sua proibição sumária. Vou dormir achando que a questão está encerrada, mas no dia seguinte me surpreendo com aquilo que chamarei de…

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O suicídio do menino Ney ou: a queda

Todo mundo se lembra de onde estava quando anunciaram a morte do menino Ney. Minha prima Clara, por exemplo, estava no velório de um parente distante e conta que a dor na capelinha triplicou quando alguém leu a notícia na Internet. Meu pai estava no trânsito e teve de parar no meio da avenida movimentada para assimilar o golpe. Dizem que, nas cidades menores, hordas de meninos saíram às ruas, as bolas de capotão sob os braços, chorando a ponto de abafar o som dos incansáveis carrilhões. De minha parte a lembrança seria para sempre outra. Jamais me esqueci nem…

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