Se esparrama pelo chão

Tive o prazer imensurável, inenarrável e inesquecível de ler o manuscrito de “Se Esparrama Pelo Chão”, segundo volume da aguardada Tetralogia da Batata, do poeta, ensaísta, dramaturgo, mecânico e, só por acaso, meu amigo Hugo Peretti. Trabalhando oito horas por dia numa ancestral máquina de escrever, ouvindo Leandro & Leonardo e parando aqui e ali …

A valsa perfeita de Antônio Callado

Antônio Callado estava um pouco esbaforido ao final da valsa. Mas as pessoas aplaudiam e aplaudiam mais e não paravam de aplaudir, o que o fez se esquecer do cansaço. Ele sentiu uma pontada nos fundos dos olhos e pensou que era ridículo a um homem chorar naquela ocasião,diante de tanta gente importante, diante, meu Deus, de Paulo Francis, mas a dor era maior do que qualquer argumento contrário e, sem que ele desse permissão, uma maldita e deselegante e, sinceramente, cafona lágrima escorreu por seu rosto branco demais.

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Quarenta e um anos hoje.

Para a maioria das pessoas, é uma idade normal e até matematicamente
lógica para um homem que nasceu em 1977. Para outras é o início da decadência,
a aurora da experiência, ou qualquer outra coisa assim. Para minha mãe é o dia de
ela me ligar e dizer: “a essa hora eu estava no hospital”. Para as ex-namoradas
é dia de se perguntar: “por onde anda aquele idiota que completa quarenta e um
anos hoje?”

A frase

— Eu… Eu matei. Esfaqueei. O amor. Da. Minha vida. Sangue. Meu Deus, o que foi que eu fiz? Venha! Venha! Acho que não. Morto. Muito sangue. Jesus, quem vai limpar todo esse sangue? Me prenda, me prenda. Venha! Vou deixar a porta aberta. Quando os policiais chegaram, encontraram Rebeca ajoelhada ao lado do corpo …