41

Quarenta e um anos hoje.

Para a maioria das pessoas, é uma idade normal e até matematicamente lógica para um homem que nasceu em 1977. Para outras é o início da decadência, a aurora da experiência, ou qualquer outra coisa assim. Para minha mãe é o dia de ela me ligar e dizer: “a essa hora eu estava no hospital”. Para as ex-namoradas é dia de se perguntar: “por onde anda aquele idiota que completa quarenta e um anos hoje?”

Para mim, é uma idade especial. Só porque eu quero e a Wikipédia me diz. Quarenta e um é o 13º menor número primo. E é a soma dos seis primeiros números primos, além de ser o 12º primo supersingular – o que quer que seja isso. Quarenta e um é tão bom nessa coisa de ser primo que merece um nome para si: número de Newman-Shanks-Williams. NSW, para os íntimos. E é mais um monte de coisas que eu simplesmente não tenho conhecimento matemático o bastante para traduzir numa linguagem coloquialmente agradável (a soma da soma dos divisores dos sete primeiros integrais positivos).

Quarenta e um é também o número atômico do nióbio – achei que você fosse gostar de saber. O nióbio, que já foi chamado de colômbio, foi descoberto em 1801, pelo inglês Charles Hatchett. O Brasil tem a maior reserva de nióbio do mundo. Nióbio, aliás, é Níobe na mitologia grega. Filha de Tântalo, casado com Dione, neta de Zeus e da princesa Plota. Níobe também era esposa de Anfião. Muito fértil, Níobe teve catorze filhos que ficaram conhecidos como nióbidas. A deusa Leto, ofendida por umas palavras de Níobe, mandou matar as sete filhas da mulher. Zeus ficou com peninha dela e a transformou numa rocha que vertia água constantemente.

Na música, a Sinfonia 41 é a mais longa e a última composta por Wolfgang Amadeus Mozart. Dave Matthews Band, que eu nunca ouvi, também tem uma música chamada #41. Bruce Springteen, de quem sou fã, compôs uma música chamada American Skin, sobre um imigrante morto pela polícia com 41 tiros. Nunca ouvi a música. Nem estou a fim – não insista.

No cinema, tem um filme soviético de 1956 chamado o Quadragésimo-primeiro, dirigido por Grigory Chukhray, com Izolda Izvitskaya, Oleg Strizhenov e NikolayKryuchkov. O filme conta a história de um romance inusitado entre uma atiradora de elite do Exército Vermelho e um oficial do Exército Branco. No Brasil, o filme foi lançado também com o nome de A Guerrilheira. Será que tem torrent?

No mundo dos esportes, Sir Roger Banniester ostentava o número quarenta e um ao romper a barreira dos quatro minutos ao correr uma milha, em 1954. O recorde atual é de Hicham El Guerrouj, com o tempo de três minutos, quarenta e três segundos e treze centésimos. E, sim, eu adoro escrever números por extenso. É minha parafilia. Me deixa.

No ano 41 aconteceram várias coisas interessantes – como acontece em todos os anos. Cláudio se tornou Imperador de Roma e Sêneca foi mandado para o exílio na Córsega. Neste ano Calígula, aquele, foi assassinado. Na Ásia, um tal de Imperador Guangwu depôs a esposa, colocando a amante no lugar. Foi também nesse ano que os cristãos começaram a se chamar assim, sobretudo em Damasco e Antioquia (que eu jurava que era Antióquia).

Quarenta e um é também o código de DDI da Suíça e o DDD de Curitiba. George Bush, que acabou de morrer, foi o quadragésimo-primeiro presidente norte-americano – o que espero que não seja nenhum sinal dos Céus. E, por fim, cuarenta y uno é gíria para homossexual no México. O que me leva a crer que, se eu fosse mexicano, seria alvo de piadinhas ao assoprar as velas do bolo.

Tudo isso para dizer que faço quarenta e um anos hoje. Rumo ao terceiro número primário semiperfeito, aquele que, em O Mochileiro das Galáxias, é a resposta para a vida, o Universo e o tudo.