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Month: July 2017

Tipo agora, digamos assim

A ironia é um verdadeiro milagre. É o mais próximo que chegamos da telepatia. E, como todo milagre, há os abençoados e os desgraçados, tanto emissores quanto receptores – ou, no caso, não-receptores. Para que uma ironia seja produzida numa ponta e decodificada na outra, é necessário um encadeamento específico de elementos. Primeiro, é preciso que tanto emissor quanto receptor esteja numa mesma “frequência de inteligência”. A ironia raramente se realiza entre inteligências muito díspares. Tipo agora, digamos assim. E, aqui, já se nota o dedo de Deus: repare que os envolvidos da tal “dinâmica irônica” não precisam nem estar no mesmo limite do segmento espaço-tempo para que a ironia se realize. Um intelecto que virou pó há duzentos anos ainda é capaz de gerar…

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No banho com Thoreau

  Li Thoreau pela primeira vez quando se deve lê-lo: na adolescência. Como cheguei a ele, não lembro. Na aridez daqueles anos de fome intelectual, eu lia tudo o que me aparecia na frente. Hoje gosto de pensar no milagre que é um menino, vivendo numa província subtropical, se deparar com as sinapses registradas em papel de um homem que viveu há dois séculos. O impacto daquela primeira leitura foi brutal. Em meus delírios juvenis, sonhava em viver da terra, na paz da solidão sábia, numa cabana ao lado de um laguinho (um tanque de peixes) ali em Almirante Tamandaré. A fantasia durou uns dois anos. Mas, reconheço, aquela foi uma leitura imatura, superficial e impulsiva. Thoreau não era (não é) um defensor do eremitismo…

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