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POLZONOFF Posts

A frase

— Eu… Eu matei. Esfaqueei. O amor. Da. Minha vida. Sangue. Meu Deus, o que foi que eu fiz? Venha! Venha! Acho que não. Morto. Muito sangue. Jesus, quem vai limpar todo esse sangue? Me prenda, me prenda. Venha! Vou deixar a porta aberta. Quando os policiais chegaram, encontraram Rebeca ajoelhada ao lado do corpo do marido. Raul olhava para o teto com os olhos esbugalhados e um sorriso agora eterno, o peito mortalmente ferido por instrumento perfurocortante, como dizem os peritos. — Por quê, meu Deus?! Por quê? — se perguntava a assassina viúva. Era teatro. Rebeca sabia muito…

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Cinco horas para ser pai

Eu tento me lembrar de como eram as manhãs anteriores àquele dia 12 de agosto de 2008, mas não consigo. Porque elas eram todas uma mesma manhã. Eu acordava, tomava um banho demorado e um café apressado, ligava a televisão num telejornal qualquer e começava a traduzir. E traduzia até a noite, parando aqui e ali para ter “deliciosas” dúvidas metafísicas. E os dias se sucediam assim, até que alguma dessas dúvidas me passava uma rasteira e eu caía prostrado na cama. Naquela terça-feira não foi muito diferente. Acordei cansado de uma noite mal dormida, apesar do ansiolítico poderoso que…

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A micareta

Não adianta, cara. Você fica aí com esse bonezinho inglês, esse cavanhaque, esse cachimbo no canto da boca e esses óculos para sua falsa miopia, tudo na esperança de ser reconhecido como alguém maior e melhor do que aqueles que você chama carinhosamente de resto, mas na verdade a literatura, essa coisa que você e seus amigos consomem com a afetação própria de quem se sabe raro, cada vez mais raro, a literatura não passa de uma interminável micareta. Olhe em volta. Repare. Todo mundo com seus abadás. Às vezes uns sobre os outros – e aquele cheiro típico de…

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O pronome relativo ou: bola na trave não altera o placar

Na segunda ou terça-feira, li uma matéria dizendo que apenas oito porcento da população brasileira é capaz de ler e compreender um texto com fluência plena. Na quarta, comecei a escrever o texto sobre o ex-professor que me disse que meu estilo era dogmático demais. E, na sexta, tive um pequeno entrevero com alguém por causa de um pronome relativo. Não foi coincidência, pois, que desde segunda-feira eu andasse meio irritado – com o mundo e comigo mesmo. Com o mundo porque ele é incapaz de compreender um texto em sua totalidade (quanto mais na sua beleza), e isso me…

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Ao mestre, com carinho

Cristóvão Tezza, ele mesmo e nenhum outro, foi meu mestre. Meu maior mestre. Ao longo dos últimos vinte anos, tive a sorte de contar com outros tantos mestres, mas ouso dizer que nenhum teve nem vai ter a mesma importância do professor que desde meus dezessete anos tento, em vão, conquistar, naquele conflito que Freud já analisou muito bem. Tezza é o andar térreo deste edifício de engenharia temerosa que atende pelo nome de “eu”. Levei muito tempo para assumir isso. Para chegar a esta conclusão que, neste momento, me parece a mais óbvia do mundo. Talvez porque, idiota que…

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